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          Certo dia, a princesa chinesa Wu, incapaz de compreender os ensinamentos filosóficos da escola budista Hwa Yen, pediu ao mestre Fa Tsang um exemplo simples da inter-relação de todas as coisas.
          O velho sábio esperou o anoitecer e levou a princesa a um salão do palácio cujas paredes, o teto e o chão estavam inteiramente cobertos por espelhos. Fa Tsang, então, acendeu uma vela no centro do aposento e a luz da chama se refletiu até o infinito. Depois mostrou à princesa um pequeno cristal e perguntou o que ela via refletido em uma de suas faces.  “Cada mínima parcela da diversidade do universo é um reflexo particular da unidade que engloba todas as coisas” - explicou o sábio.
          “O  Um no Todo, o Todo no Um: Um no um, Todo em todos”- recitou a jovem princesa Wu, feliz por afinal ter entendido o significado da frase. “Tenha calma, princesa! Hoje você entendeu o que é o infinito, falta agora compreender a eternidade” - advertiu o sábio, lamentando jocosamente o fato de que aquele modelo estático era incapaz de representar o movimento perpétuo e multidimensional do universo.

O Hermeneuta
Estudos de Decifração Semiética
 

MARCELO BOLSHAW GOMES