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1 – INTRODUÇÃO

            O ovário é tido como uma glândula do aparelho reprodutivo capaz de produzir hormônios que, nele estão contidos os folículos, estruturas primordiais da formação do zigoto. Existem dois hormônios que são de fundamental importância para a evolução desses folículos e posterior ovulação do mesmo, que são eles FSH (hormônio folículo estimulante) e LH (hormônio luteinizante). Falhas na ação desses hormônios nas células alvo do ovário podem desencadear uma alteração e subsequentemente surgimento de patologias.

Patologias como cistos ovarianos são tidos como responsáveis de grandes perdas econômicas na pecuária, principalmente a de leite.

            Esta revisão tem como objetivo demonstrar as suas principais causas e mecanismos para que ocorra o aparecimento dessa patologia, bem como discutir os fatores associados ao seu aparecimento e seu tratamento.

2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.2 - Etiopatologia

O cisto folicular caracteriza-se pela persistência de uma estrutura anovulatória por período superior a 10 dias, com interrupção da atividade ovariana normal (NASCIMENTO & SANTOS, 1997; THOMSON, 1990).

            Histologicamente a granulosa está mais espessada que o normal ou está em processo de degeneração eventualmente tornando-se uma só camada celular, sem luteinização. (THOMSON, 1990)

Em vacas esses folículos possuem 2,5 cm ou mais de diâmetro (THOMSON, 1990; NASCIMENTO & SANTOS, 1997; WOOLUMS & PETER, 1994). Segundo GRUNERT (1989), ocorrem em todas as raças bovinas, porém, com maior frequência nas de leite. A doença é mais comum em determinadas linhagens familiares dentro das raças, o que implica em fatores hereditários na etiologia. (FRASER, 1991)

Segundo NASCIMENTO & SANTOS (1997) ocorre em várias espécies domésticas, sendo mais conhecidas na vaca e na porca. Na vaca, o aspecto mais conhecido dessa patologia e sua associação com ninfomania.

Trabalhos realizados por MUJUNI, et al (1993) demonstram que vacas leiteiras são as mais afetadas principalmente no período pósparto mostrando um índice de 18,9%.

Para NASCIMENTO & SANTOS (1997), a patogenia ainda não está clara. Para alguns autores a patologia está relacionada à exacerbada ação do FSH e não liberação do LH pela adeno-hipófise ou a não liberação do GnRH pelo hipotálamo (KAWATE et al, 1990). Outros acham que se deve a ausência de receptores de LH no folículo maduro, ou mesmo à ausência de ácido siálico, sendo este o responsável por estabelecer a ligação do hormônio LH com os receptores. (NASCIMENTO, 1996)

Segundo o autor acima citado, há falta de informações a respeito do perfil de liberação de GnRH devido as dificuldades técnicas em se medir diretamente esse hormônio.

Nos animais que estejam desenvolvendo ovariopatia cística, a ovulação não ocorre. A ação de vários hormônios produzidos é responsável pelas alterações observadas no trato genital bem como pela conformação do corpo e comprometimento geral. (FRASER, 1991)

Bamberg, et al (1981), apud NASCIMENTO (1996), baseando-se no aspecto histológico classificam os cistos foliculares em três tipos:

Tipo I – aqueles nos quais as camadas de células da granulosa e da teca interna estão presentes;

Tipo II – a camada de células da teca está presente, porém as da granulosa são escassas ou ausentes; e

Tipo III – aqueles que tem somente células da teca, porém luteinizadas.

Em porcas os cistos podem ser simples ou múltiplos, uni, ou bilaterais. (NASCIMENTO, 1996)

OHASCHI (1982), observou num animal bovino a presença de cisto folicular juntamente com um corpo lúteo, o qual localizava-se no ovário ao do cisto.

2.3 - Principais Causas

            Há vários fatores predisponentes para o aparecimento de cistos foliculares, como excesso de concentrados, carências quantitativas e qualitativas de minerais e vitaminas, componentes daninhos em determinados alimentos. (GRUNERT, 1989; HAFEZ, 1996; NASCIMENTO, 1986). Um dos fatores mais importantes é o nutricional. (WEBB & ARMSTRONG, 1998)

            Estabulação associada à falta de movimentação e luz favorecem o aparecimento do cisto folicular. Como fatores endógenos são conhecidos os estrógenos. (GRUNERT, 1989).

           Nos estudos de um rebanho da raça Gir foi constatado que o cisto folicular é provocado por um gen autossômico, dominante e de penetrância variável. (BEZERRA, 1981).

            Muitos casos de cistos ovarianos estão associados a endometrites. Vacas com alta produção de leite são mais afetadas. No entanto ao comparar a produção de vacas com e sem cistos observa-se que apenas no ano da constatação do problema existe uma elevação da lactação. Assim, surge a dúvida se os cistos são causados pela alta produção láctea ou se esta é conseqüência de presença dos cistos, devido a constante produção de pequena quantidade de estrógenos poder estimular a secreção láctea. (GRUNERT, 1989)

            A maior ocorrência se dá em vacas em torno da terceira lactação e nos primeiros 60 dias pós parto. (McENTEE, 1990; NANDA et al, 1989; BOSU & PETER, 1987.

            Ingestão de plantas fitoestrogênicas são causas de cistos foliculares. (CORRÊA & CORREA, 1992).

            Fatores estressantes que cursam com a elevação da concentração sérica de cortisol, também podem predispor ao desenvolvimento de cisto folicular (NASCIMENTO & SANTOS, 1997).

2.4 - Sintomatologia

            Observa-se aciclia, noutros, ciclos irregulares e, hoje em dia, mais raramente, manifestações linfomanas. (GRUNERT, 1989). A maioria falha na exibição de cio (anestro). (HAFEZ, 1996).

            ROBERTS (1986); McENTEE (1990), citam que naqueles casos acompanhados de ninfomania observa-se edema de vulva, hipertrofia do clitóris, hipertrofia do canal cervical, hiperplasia das glândulas endometriais, elevação da cauda, cistos dos dutos de gartner e das glândulas de bartholim.

            Em consequência à hipersecreção endometrial, surge eventualmente hidrometra ou mucometra (ROBERGE et al, 1993). Na área genital, observa-se uma edemaciação generalizada com tendência à hipertrofia e prolapso da vagina. (GRUNERT, 1989).

            Os sinais associados a cistos ovarianos, anormais se devem a um excesso de secreção de hormônio sexual por parte da estrutura cística. (GROOTERS, 1998).

            Através da palpação retal, TONIOLLI & CAVALCANTI (1990) diagnosticaram ovários císticos em porcas, com muita facilidade, sendo reconhecidos como uma estrutura maior do que o ovário normal, de superfície lobulada e que se rompe com facilidade ao ser pressionado.

            Já NASCIMENTO (1996), associa cistos foliculares diretamente a ninfomania, anestro e ciclos estrais curtos e irregulares. O mais conhecido é a associação com ninfomanias.

2.5 - Tratamento

            Cistos foliculares são capazes de uma regressão espontânea, todavia os que surgem após a primeira ovulação pós parto provavelmente serão substituídas por outros folículos que se tornarão císticos.

            Ruptura manual é a forma mais antiga de tratamento dos cistos foliculares. Os resultados positivos aqui obtidos, no entanto, não ultrapassam a 50%. (GRUNERT, 1989)

Pode-se realizar ovário-histerectomia em casos de animais não reprodutores. (GROOTERS, 1998)

Um tratamento com GnRH pode ajudar a um cisto folicular mas poderia não fazer nada para a vaca com um cisto luteínico ou benigno. (WILTBANK, 1998).

NANDA (1989), ao comparar o GnRH e PGF2a no tratamento de cistos ovarianos, obteve melhor resposta com GnRH, para o tratamento de cistos folicular.

            Com base no efeito rebote (rebound effect), podem ser administrados diariamente 10 mg de CAP via oral durante 18 dias (GRUNERT, 1989). Após a suspensão da medicação ocorre, em geral, liberação aumentada de LH por parte da hipófise (ROMERO-RAMIREZ et al, 1995).

3 – CONCLUSÃO

            Com base nos estudos realizados, nota-se que a maior ocorrência de cisto folicular cursa por volta de 30 a 60 dias pós-parto em vacas afetando diretamente a eficiência reprodutiva, pois interfere diretamente na ovulação causando interrupção na mesma e com isso o intervalo entre partos aumenta ocorrendo grandes perdas econômicas.

            Verifica-se que o cisto folicular é o cisto de maior incidência em fêmeas domésticas. É uma patologia de caráter reversível através de tratamento adequado. Em alguns animais com cistos foliculares, ocorre regressão e desaparecimento espontâneo do mesmo sem que seja necessária aplicação de medicamentos.

            Muitas vezes a distinção entre cisto folicular, e principalmente cisto luteínico não é possível. Com isso pode-se tornar de difícil tratamento, pois cada um responde melhor a um tipo de medicação.